Release…

Banda NATLUZQuando você pensa na expressão ”tímido” e ”calmo” não vêm à mente ao conhecer o NATLUZ de Brasília (DF). O grupo nasceu no cenário independente em março de 2006 e desde lá veio cativando os ouvintes.

A banda aborda temas como amor, a busca pela paz, amizade, perdão e situações do cotidiano. Com músicos atuantes há muitos anos nas Celebrações da Santa Missa, o NATLUZ tornou-se uma banda de rock com “uma verdade” a dizer!

No quesito ao vivo, o NATLUZ, com muita energia e atitude, procura conquistar não só o público cristão, mas também aqueles que não conhecem o amor de Deus.

Cássio (voz e violões), Tereza (voz), Thiago (bateria), Elves (baixo) colocam em sua musicalidade, tudo aquilo que o “pop rock” pode sugerir.

Prefaciando…

Pe. Zezinho

O emblemático, notório e notável, que me brindou com o mesmo adjetivo pelo qual agradeço, fez o que devia ter feito: anotou suas experiências em papel. Quando os jovens escrevem memórias, estão admitindo que um novo tempo se faz e que não convém esperar o amanhã para falar do tempo que ainda navega aos soprares de agora. A verdade é que todo agora é feito de muito ontem e um pouco de amanhã antecipado. Um livro de memórias escrito por jovens é sempre um aviso de que talvez isso passe. Se passar, terá deixado a sua marca; terá valido cada sonho e cada gemido.

Filosofia à parte, percebo isso. Os fãs e admiradores desse grupo, que se tornou um simpático emblema na Igreja (porque não há como ignorar, cuja profecia marcou e trouxe tantos jovens para a fé), acharão muito mais do que achei neste grupo que me pedem para prefaciar. Alguns certamente os seguiram ainda mais de perto do que eu os tenho seguido.

A banda achou uma linguagem poética e musical que chega forte a um tipo de cultura jovem. Cultura que merece diálogo e atenção por parte da Igreja. Defendi, defendo e apóio o rock de fundo religioso. Se, por decisão desta ou daquela autoridade – e autoridade merece respeito -, o rock não puder ser usado na liturgia, ele achará sempre o seu espaço lá onde o jovem vive e grita os seus ais, de um jeito que só quem domina os sons, os tons e os instrumentos sabe fazê-lo.

Engana-se quem pensa que é fácil tocar e cantar rock. È arte sabidamente exigente. Quem a executa tem que saber música! Isso é tão perceptível no rock quanto numa tocata ou numa fuga de Bach. Aliado a poesias que ensinam a pensar, o rock religioso leva o seu recado a quem jamais ouviria a Igreja. É o que fez e faz.

Se fui pioneiro em algum aspecto da catequese, os co-autores destas letras e outros bons músicos também o foram. Ainda mais importante do que ser pioneiro é ser perseverante quando o caminho é pedregoso, escorregadio e ponteado de críticas e objeções. Eles ouviram, aprenderam, corrigiram e prosseguiram. A meu ver, foi profecia que espero que continue cada vez mais catequética. Chego a imaginar uma ópera-rock baseada no Dives in Misericórdia. João Paulo II bem que o merecia! Ele viu valor nesse gênero de música.

Que a banda prossiga! Nunca será fácil! Mas que é bom e bonito, eles sabem que é!

Pe. Zezinho scj

São Paulo, Novembro, 2008

Carta aos agentes de música litúrgica do Brasil

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB

Brasília-DF, 25 de setembro de 2008

ML – C – Nº 0845/08

A liturgia ocupa um lugar central em toda a ação evangelizadora da Igreja. Ela é o “cume para o qual tende a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, a fonte de onde emana toda a sua força” (SC 10). Nela, o discípulo realiza o mais íntimo encontro com seu Senhor e dela recebe a motivação e a força máximas para a sua missão na Igreja e no mundo (cf. DGAE nº 67).

Há uma relação muito profunda entre beleza e liturgia. Beleza não como mero esteticismo, mas como modalidade pela qual a verdade do amor de Deus em Cristo nos alcança, fascina e arrebata, fazendo-nos sair de nós mesmos e atraindo-nos assim para a nossa verdadeira vocação: o amor (cf. SCa 35). Unida ao espaço litúrgico, a música é genuína expressão de beleza, tem especial capacidade de atingir os corações e, na liturgia, grande eficácia pedagógica para levá-los a penetrar no mistério celebrado.

Acompanhamos, com entusiasmo e alegria, o florescer de grupos de canto e música litúrgica, grupos instrumentais e vocais, que exercem o importante ministério de zelar pela beleza e profundidade da liturgia através do canto e da música. Sua animação e criatividade encantam muitos daqueles que participam das celebrações litúrgicas em nossas comunidades. Ao soar dos primeiros acordes e ao canto da primeira nota, sentimos mais profundamente a presença de Deus.

Lembramos alguns aspectos importantes que contribuem para a grandeza do mistério celebrado.

1. A importância da letra na música litúrgica – a letra tem a primazia, a música está a seu serviço. A descoberta da beleza de um canto litúrgico passa necessariamente pela análise cuidadosa do conteúdo do texto e da poesia. A beleza estética não é o único critério. Muitas músicas cantadas em nossas liturgias estão distanciadas do contexto celebrativo. “Verdadeiramente, em liturgia, não podemos dizer que tanto vale um cântico como outro; é necessário evitar a improvisação genérica e o canto deve integrar-se na forma própria da celebração” (SCa 42). Não é possível cantar qualquer canto em qualquer momento ou em qualquer tempo. O canto “precisa estar intimamente vinculado ao rito, ou seja, ao momento celebrativo e ao tempo litúrgico” (DGAE 76). Antes de escolher um canto litúrgico é preciso aprofundar o sentido dos textos bíblicos, do tempo litúrgico, da festa celebrada e do momento ritual.

2. A participação da assembléia no canto – o Concílio Vaticano II enfatiza a participação ativa, consciente, plena, frutuosa, externa e interna de todos os fiéis (cf. SC 14). O canto litúrgico não é propriedade particular de um cantor, animador, ou de um seleto grupo de cantores. A liturgia permite alguns momentos para solos (tanto vocais quanto instrumentais), porém a assembléia deve ter prioridade na execução dos cantos litúrgicos. O animador ou o cantor tem a importante missão, como elemento intrínseco ao serviço que presta à comunidade, de favorecer o canto da assembléia, ora sustentando, ora fazendo pequenos gestos de regência, contribuindo para a participação ativa de toda a comunidade celebrante.

3. Cuidado com o volume dos instrumentos e microfones – em muitas comunidades, o excessivo volume dos instrumentos, como também a grande quantidade de microfones para os cantores, às vezes, não contribuem para um mergulho no mistério celebrado, antes, provocam a agitação interior e a dispersão, além de inibir a participação da assembléia no canto. Pede-se cuidado com o volume do som, a fim de que as celebrações sejam mais orantes , pois tudo deve contribuir para a beleza do momento ritual.

4. Cultivar uma espiritualidade litúrgica – os cantores e instrumentistas exercem um verdadeiro ministério litúrgico (SC 29). A celebração não é um momento para fazer um show, para apresentação de qualidades e aptidões. Os cantores e instrumentistas devem, antes de tudo, mergulhar no mistério, ouvir e acolher com a devida atenção a Palavra de Deus e participar intensamente de todos os momentos da celebração. Música litúrgica e espiritualidade litúrgica devem andar juntas, são duas asas de um mesmo vôo, duas nascentes de uma mesma fonte.

Invocamos as luzes do Espírito Santo sobre todos os agentes de música litúrgica de nosso país. Reconhecemos o valoro do ministério exercido a serviço de celebrações reveladoras da beleza suprema do Deus criador e da atualização do Mistério Pascal de Jesus Cristo.

D. Joviano de Lima Júnior, SSS

Arcebispo de Ribeirão Preto e

Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia